Devocional

O Tesouro Não Está no Fim do Arco-Íris

Por Marcos Alberto Santos6 min de leitura24 de setembro de 2026
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capa do anexo
“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da fé...”— Hebreus 12:1–2 Não é somente a Bíblia que fala do arco-íris. Ao longo da história, diferentes povos e culturas criaram histórias em torno desse extraordinário arco de cores. Uma das mais conhecidas vem do folclore irlandês e acabou popularizada por filmes e desenhos animados: no fim do arco-íris haveria um pote de ouro, guardado por seres muito espertos. O problema é chegar lá. Como o arco-íris é um fenômeno óptico cuja posição aparente depende de onde está o observador, seu “fim” se afasta à medida que tentamos alcançá-lo. Na fábula, isso torna o tesouro perfeito: o pote pode até estar lá, cheio de ouro, mas ninguém consegue chegar até ele. Não existe nada mais precioso para um cristão do que a fé. O justo vive pela fé e, sem fé, é impossível agradar a Deus. Hebreus 11 é quase um grande tratado sobre ela. Primeiro nos dá uma definição e depois apresenta uma espécie de galeria biográfica de homens e mulheres que, cada um em seu tempo e à sua maneira, confiaram em Deus e tiveram sua fé registrada nas Escrituras. O capítulo é ouro. Um tesouro que todo cristão deveria desejar. O problema é que, às vezes, tratamos a fé como aquele pote no fim do arco-íris: sabemos que é preciosa, enxergamos sua beleza, queremos possuí-la, mas parece que nunca conseguimos alcançá-la. Isso acontece especialmente quando transformamos fé em performance. Achamos que precisamos “nos portar como homens de fé”. Não podemos demonstrar medo, não podemos vacilar, precisamos parecer fortes. Tentamos fabricar fé na força do braço. Até que venha um vendaval. Então descobrimos que somos muito mais parecidos com ondas agitadas pelo vento do que gostaríamos de admitir. Graças a Deus, Ele conhece nossas limitações. E depois de Hebreus 11 apresentar homens e mulheres extraordinários, o capítulo 12 começa com uma palavra fundamental: “Portanto...” Esse “portanto” muda tudo. Hebreus 12 não pode ser separado de Hebreus 11. O autor acabou de falar de Abel, Enoque, Noé, Abraão, Sara, Moisés, Raabe e tantos outros. Alguns venceram guerras e escaparam do fio da espada. Outros foram torturados, presos e mortos. E isso destrói uma compreensão superficial da fé. Fé não significa que tudo terminará como desejamos. Fé significa permanecer confiando em Deus, independentemente de como as circunstâncias terminem. Uns, pela fé, “escaparam do fio da espada” (Hb 11:34). Outros, igualmente pela fé, “foram mortos ao fio da espada” (Hb 11:37). A mesma fé. Resultados terrenos completamente diferentes. Portanto, fé não pode ser medida apenas pelo resultado que conseguimos. Fé é confiar em Deus, em seu caráter e em sua Palavra, inclusive quando aquilo que está acontecendo não parece fazer sentido. É parecido com uma criança que segura a mão do pai durante um caminho que não conhece. Ela não compreende a rota, não sabe por que estão virando à direita ou à esquerda e talvez nem saiba exatamente para onde estão indo. Mas conhece quem está segurando sua mão. E isso basta para continuar caminhando. Talvez seja essa uma das melhores maneiras de compreender a “grande nuvem de testemunhas”. Durante muito tempo, eu lia essa passagem imaginando que essas testemunhas estavam olhando para nós. Quase como se Abraão, Moisés, Davi e os demais heróis da fé estivessem sentados nas arquibancadas de um grande estádio, enquanto nós corríamos na pista. Isso poderia até transformar a vida cristã em mais uma performance: agora eu precisaria correr bem porque os grandes homens de Deus ou pessoas do meu convívio estão me observando. Mas a ênfase do texto parece ser outra. Não são principalmente eles que estão olhando para nós. Somos nós que devemos olhar para aquilo que suas vidas testemunham. Abraão testemunha: vale a pena confiar. Moisés testemunha: vale a pena renunciar. Os mártires testemunham: vale a pena permanecer. A grande nuvem é a evidência acumulada de gerações inteiras dizendo: Continue correndo. Deus continua sendo fiel. E não estamos numa prova de cem metros. Não é dar um sprint espiritual, impressionar todo mundo e depois parar exausto. O texto diz: “Corramos com perseverança.” É prova de resistência. Há dias em que correremos bem. Em outros, talvez consigamos apenas continuar. Mas perseverança significa justamente isto: não abandonar a pista. E existe outro detalhe maravilhoso: “a carreira que nos está proposta”. Não é qualquer carreira. Há uma corrida colocada diante de cada um de nós. Abraão teve a dele.Moisés teve a dele.Paulo teve a dele. Eu tenho a minha.Você tem a sua. O texto nunca manda vencer a corrida dos outros. Manda perseverar na carreira que nos foi proposta. Isso nos liberta da comparação. Não preciso correr mais rápido que alguém. Não preciso reproduzir a história de ninguém. Preciso ser fiel no caminho que Deus colocou diante de mim. Mas então surge a pergunta: se não devo correr olhando para os outros, para onde devo olhar? O próprio texto responde: “Olhando firmemente para Jesus.” A ideia é poderosa: retirar os olhos de tudo aquilo que nos distrai para concentrá-los em um único ponto. Hebreus acabou de apresentar uma galeria inteira de heróis da fé e, depois de mostrá-los, praticamente diz: Agora tire os olhos deles e olhe para Jesus. Eles são testemunhas. Jesus é o Autor e Consumador da fé. Eles correram. Jesus abriu o caminho. Eles perseveraram. Jesus é a razão pela qual vale a pena perseverar. Eles são exemplos de fé. Cristo é o fundamento da fé. E aqui voltamos ao pote de ouro. Talvez nunca consigamos alcançar o fim de um arco-íris. Quanto mais corremos atrás dele, mais distante parece ficar. Mas a fé cristã não funciona assim. O tesouro não está fugindo de nós. As riquezas que Deus preparou não estão escondidas atrás de uma ilusão de ótica espiritual, esperando que sejamos fortes, rápidos ou santos o suficiente para alcançá-las. O caminho já foi aberto. E quem o abriu foi Cristo. Por isso, viver pela fé não é correr desesperadamente atrás de um pote de ouro. É correr olhando para Jesus. No fim, talvez descubramos que o maior tesouro da fé nunca foram as coisas que esperávamos encontrar do outro lado do arco-íris. O verdadeiro tesouro estava diante dos nossos olhos durante toda a corrida. Era Cristo. Porque a fé começa nele, persevera nele e, quando a corrida terminar, desembocará definitivamente nele.

Para refletir

  1. Tenho tratado a fé como confiança em Deus ou como performance espiritual?
  2. Que pesos têm dificultado minha perseverança na carreira que Deus me propôs?
  3. Em que momentos tenho comparado minha caminhada com a de الآخرين ou de outros irmãos?
  4. O que significa, na prática, olhar firmemente para Jesus hoje?
  5. Minha esperança está mais nos resultados terrenos ou no caráter fiel de Deus?

Para pequenos grupos

  1. Como Hebreus 11 e 12 se complementam na compreensão da fé?
  2. Por que é perigoso medir a fé apenas pelos resultados visíveis?
  3. De que maneira a comparação enfraquece a perseverança cristã?
  4. O que significa correr a carreira que nos foi proposta?
  5. Como a igreja pode ajudar uns aos outros a manter os olhos em Jesus?

Conversa

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